
O presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (AMIG), Vitor Penido, participou em Brasília, de audiência com o ministro de Minas e Energia (MME), Bento Albuquerque, nesta segunda-feira (22). Na pauta do encontro, os rumos que a mineração no país irá tomar. Penido ressaltou a confiança e esperança que a instituição e todas as cidades que têm na mineração seu principal recurso depositam no mandatário da pasta. “Queremos formar uma sólida e duradoura parceria com o MME e juntos resgatarmos a mineração no país. O governo precisa liderar o segmento da mineração no Brasil”, afirmou.
A reunião, iniciativa
da AMIG, teve como objetivos apresentar ao ministro as principais ações
realizadas pela entidade na busca de soluções para os problemas que o setor
enfrenta; solicitar estruturação
imediata da Agência Nacional de Mineração - ANM (antigo Departamento Nacional de
Produção Mineral -DNPM), o único órgão com a legitimidade para fiscalizar as
empresas mineradoras, e acabar com a sonegação dos impostos que impera no setor,
além de agilizar as regulamentações e avaliações de processos. Sem uma agência
reguladora forte, eficiente e atuante, o setor minerário torna-se inviável. Também foi sugerida a criação de
um conselho nacional de geologia e mineração, um conselho consultivo que
fomente o diálogo sobre a atividade entre governo e iniciativa privada. A AMIG sugeriu ainda a realização de um
workshop entre o ministério, a ANM e os municípios mineradores, para nivelar as
informações, e a correção na Medida Provisória para que os municípios
impactados pela extração de minério também recebam a
CFEM. O presidente pediu ainda a ajuda do ministro para que seja apurada a
dívida do CFEM das empresas extrativas. Somente quatro empresas devem R$ 1,6
bilhões em impostos.
Com uma explanação clara e objetiva, o consultor de relacionamentos institucionais da AMIG, Waldir Salvador, fez um relato ao ministro sobre a situação caótica em que estão os municípios mineradores, particularmente as cidades de Minas Gerais, que ainda é o maior estado minerador do Brasil, e que hoje enfrenta o medo de terem as barragens rompidas, o medo da falta de recursos, o medo do futuro muito próximo. “Temos uma vivência da mineração lá no chão onde ela acontece. Sabemos da importância da atividade mineradora, da nossa dependência com essa atividade e da vocação das cidades”.
Mineração é um segmento, não apenas um setor
Salvador salientou ao ministro o quanto os municípios e a AMIG estão confiantes por o país ter, depois de duas décadas, um ministro de Estado de Minas e Energia de verdade, que tem a isenção necessária e o conhecimento técnico capaz de mudar o cenário da atividade mineradora, que nos últimos anos não tem tido a fiscalização necessária, permitindo que as empresas se autorregulem e façam sua própria lei. “Vivemos períodos terríveis nos outros governos, quando interesses diversos desvirtuaram o real papel do ministério com o segmento e que resultou em prejuízos irreparáveis e irrecuperáveis para nós. Precisamos sair desse caos, ou será a morte para centenas de cidades.” Ele alertou ainda, que a mineração não é um setor, mas um segmento que abrange a cidade, o estado, o país. Segundo Salvador, mineração inerte não tem valor, não traz transformação. “Precisamos do MME à frente do segmento da mineração nacional, principalmente junto aos estados e municípios, para conseguirmos regular e estabelecer os limites para as empresas que exploram nossos minérios, que durante anos fizeram tudo a seu tempo e a sua forma”, ressaltou.
Para a AMIG, a
mineração precisa de uma regulamentação séria e de uma fiscalização eficiente.
“Quanto mais se investir na Agência, mais se vai arrecadar, mais a Mineração do
país se fortalecerá”. Estudos mostram que para cada três reais que devem ser arrecados,
dois reais são sonegados pelas empresas.
Bento Albuquerque disse concordar
com todos os argumentos colocados pela AMIG e reconheceu o papel de Minas
Gerais para o setor. “Minas é a referência nacional em termos de mineração e
merece atenção especial, principalmente pelo momento difícil que estão passando
as cidades mineradoras”. O ministro finalizou a reunião, acenando para a
realização imediata do workshp sugerido, “esse é o momento certo”.
Estiveram também presentes na reunião, o vice-presidente da AMIG, Ronaldo Lage, o consultor de Relacionamentos Institucionais da AMIG, Waldir Salvador, o consultor Jurídico, Rogério Moreira, e a gerente da instituição, Stael Gomes. Pelo MME, a diretora do Departamento de Geologia e Produção, Lilia Mascarenhas Sant’Agostinho e o chefe da Assessoria Parlamentar, Hugo Oliveira.
Autor / Fonte:Assessoria de Imprensa e Comunicação