AMIG

AMIG
AMIG Brasil cobra fortalecimento da ANM e apresenta reivindicações contra mineração ilegal à Câmara dos Deputados
Notícias

AMIG Brasil cobra fortalecimento da ANM e apresenta reivindicações contra mineração ilegal à Câmara dos Deputados

Associação que representa municípios mineradores e afetados aponta falhas estruturais do Estado e defende medidas urgentes para combater evasão fiscal, sonegação e fragilidades na fiscalização do setor mineral

A AMIG Brasil encaminhou uma série de reivindicações à Comissão Externa sobre os Atos de Pirataria e a Agenda do “Brasil Legal”, da Câmara dos Deputados, com foco no enfrentamento da mineração ilegal no país e a falta de fiscalização o setor. O documento foi direcionado à audiência pública realizada na tarde desta terça-feira, 26 de maio, que discute os impactos econômicos, ambientais e fiscais da atividade.

A entidade foi convidada a se manifestar pelo deputado Julio Lopes, coordenador da comissão. Em ofício enviado, o presidente da associação, Marco Antônio Lage, destacou a relevância do debate e reforçou o papel institucional da entidade, que representa quase 70 municípios mineradores e afetados pela atividade mineral.

Com 37 anos de atuação, a AMIG Brasil afirmou que acompanha de forma permanente os desafios estruturais da governança mineral no país, especialmente sob a ótica dos impactos econômicos, sociais, fiscais, ambientais e urbanísticos enfrentados pelos municípios.

Segundo a entidade, o enfrentamento da mineração ilegal não pode ser tratado de forma isolada, mas deve considerar as limitações estruturais do Estado brasileiro na regulação e fiscalização do setor mineral.

Fragilidade estrutural da ANM no centro do problema

No documento, a associação sustenta que o combate à mineração ilegal, à evasão fiscal e à sonegação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) depende diretamente do fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) são citados para evidenciar a situação crítica da agência. Auditoria do TCU apontou “carência crônica de servidores”, limitações orçamentárias e precariedade tecnológica.

Em dezembro de 2023, apenas 34,2% dos cargos previstos estavam ocupados, com redução de cerca de 41,9% da força de trabalho entre 2010 e 2023. “A entidade também destacou a insuficiência de recursos logísticos e a baixa capacidade operacional da autarquia”, alertou a entidade. 

Contingenciamento de recursos compromete fiscalização

Outro ponto central é o contingenciamento orçamentário da ANM. Segundo a AMIG, aproximadamente 80% dos recursos legalmente destinados à agência, provenientes da CFEM, têm sido retidos.

A Lei 13.540/2017 determina que 7% da arrecadação da CFEM sejam destinados à ANM para investimento em fiscalização, regulação e monitoramento. No entanto, esses valores não vêm sendo executados integralmente, o que compromete diretamente a atuação da autarquia.

Irregularidades em instrumentos regulatórios acendem alerta

A associação também destacou auditoria do TCU que identificou indícios de desvio de finalidade nas Guias de Utilização — instrumento que permite lavra em caráter excepcional durante a fase de pesquisa mineral.

De acordo com o levantamento, cerca de 72% das guias analisadas foram utilizadas para fins de comercialização sem relação direta com a pesquisa. Em alguns casos, os volumes autorizados superaram em até 40 vezes os limites previstos.

Para a AMIG Brasil, essas distorções refletem fragilidades nos mecanismos de controle e ampliam riscos de evasão da CFEM e uso inadequado de instrumentos regulatórios.

Perdas bilionárias e baixa arrecadação

Os impactos dessas fragilidades também se refletem na arrecadação. Dados do TCU apontam que aproximadamente 69,7% dos titulares de processos minerários ativos não realizaram o pagamento espontâneo da CFEM entre 2017 e 2022.

A arrecadação potencial não recuperada no período é estimada entre R$ 9,4 bilhões e R$ 12,4 bilhões, evidenciando, segundo a entidade, a gravidade das falhas de controle e fiscalização.

A AMIG ressalta que, se tais distorções já ocorrem em atividades formalizadas, o impacto da mineração ilegal tende a ser ainda mais significativo, afetando não apenas a arrecadação pública, mas também a concorrência no setor, o meio ambiente e a soberania nacional sobre os recursos minerais.

Fortalecer a ANM é prioridade

Diante desse cenário, a associação defende que o fortalecimento institucional da ANM seja tratado como medida estratégica para o país.

Entre as principais propostas apresentadas estão:

  • recomposição urgente do quadro técnico e operacional da agência;
  • ampliação da capacidade de fiscalização, monitoramento e inteligência regulatória;
  • modernização dos sistemas tecnológicos e dos mecanismos de rastreabilidade da produção mineral;
  • integração de bases de dados entre ANM, Receita Federal, órgãos ambientais, estados e municípios;
  • garantia da execução integral dos recursos legalmente destinados à autarquia.

Por fim, a AMIG Brasil reafirmou sua disposição em contribuir tecnicamente com os debates legislativos e institucionais relacionados à governança mineral.

A entidade defende o aperfeiçoamento dos mecanismos de fiscalização e controle da atividade mineral, além da construção de um ambiente regulatório mais eficiente, transparente e seguro, compatível com os desafios estratégicos do setor mineral brasileiro.

Publicações Relacionadas


FPMin defende avanço do PL dos minerais críticos em debate sobre terras raras e investimentos no Brasil
Notícias

FPMin defende avanço do PL dos minerais críticos em debate sobre terras raras e investimentos no Brasil

Sociedade é convidada a elencar prioridades da Agenda de Avaliação de Resultados Regulatórios da mineração
Notícias

Sociedade é convidada a elencar prioridades da Agenda de Avaliação de Resultados Regulatórios da mineração

Vistoria da Justiça aponta que mineradora bloqueou ruas com rejeitos em MG
Notícias

Vistoria da Justiça aponta que mineradora bloqueou ruas com rejeitos em MG

Garimpeiros saqueiam a floresta amazônica em busca de terras raras
Notícias

Garimpeiros saqueiam a floresta amazônica em busca de terras raras