Mineradoras de ferro lutam para manter reservas
Empresas precisam intensificar esforços e gastos para garrantir reposição, aponta Wood Mackenzie
Fonte: Notícias de Mineração/ William Clarke
A indústria de minério de ferro está esgotando suas reservas — extraindo o minério mais rápido do que consegue repô-lo — e o custo para encontrar novas toneladas tende a aumentar, deixando as mineradoras em uma situação em que precisam “se esforçar mais apenas para manter o patamar atual”. É o que aponta um relatório do grupo de análise Wood Mackenzie.
Entre os anos fiscais de 2016 e 2025, as seis maiores produtoras de minério de ferro esgotaram, coletivamente, 11,1 bilhões de toneladas de reservas comercializáveis, repondo apenas três quartos do volume extraído, informou a Wood Mackenzie.
“Muitas produtoras ainda possuem reservas com longa vida útil; aquelas com 15 anos ou mais mantêm uma margem de segurança significativa”, disse Mihir Vora, diretor de pesquisa do grupo.
“Mas a tendência é clara: à medida que a vida útil das minas diminui, a margem de erro se estreita, e cada tonelada adicional torna-se mais difícil e custosa de repor.”
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“O principal desafio para a atual indústria de minério de ferro é o aumento dos custos para manter a produção existente”, afirmou Vora.
“À medida que as produtoras consomem suas reservas atuais, a reposição exige mais capital e, em alguns casos, a qualidade do material adicionado é inferior. A indústria investe para sustentar a produção, mas precisa se esforçar mais apenas para não perder terreno.”
Ativos envelhecidos
Os custos operacionais aumentaram desde 2016 e as margens sofreram compressão à medida que os ativos existentes envelhecem.
“Conforme as jazidas amadurecem, é necessário movimentar mais material estéril para acessar o mesmo volume de minério”, observou a Wood Mackenzie.
O problema não é apenas o aumento de rocha estéril, mas a queda nos teores das reservas. “Material de maior teor é cada vez mais necessário para compensar o esgotamento de jazidas de menor teor, enquanto os níveis de impurezas, particularmente de alumina, estão aumentando em algumas linhas de produtos”, apontou o levantamento.
“Os índices de reposição de reservas contam apenas parte da história. Embora várias produtoras tenham conseguido repor as toneladas extraídas, a qualidade desses recursos de reposição nem sempre é equivalente; algumas operações enfrentam a queda nos teores e o aumento dos níveis de impurezas ao longo do tempo”, disse Mayank Maheshwari, analista sênior de pesquisa da Wood Mackenzie.
A reposição de reservas está se tornando mais intensiva em capital, com o capex de crescimento por tonelada de reserva adicionada variando entre aproximadamente US$ 2 e US$ 10 entre as grandes mineradoras.
Estagnação
Embora bilhões de dólares tenham sido destinados à expansão de projetos brownfield, esses investimentos têm, em grande parte, caráter de manutenção, afirmou a Wood Mackenzie.
“O objetivo é manter os níveis de produção atuais à medida que as jazidas mais antigas se esgotam, em vez de proporcionar um aumento significativo na oferta disponível.”
“A indústria de minério de ferro entra, portanto, em um período no qual o esforço, o capital e a complexidade técnica necessários para manter a produção estável são substancialmente maiores do que há uma década”, concluiu o analista.
Este artigo foi originalmente divulgado em nossa publicação-irmã Mining Journal.