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Vale recorre ao STJ e pode barrar estudos sobre impactos do rompimento da barragem em Brumadinho
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Vale recorre ao STJ e pode barrar estudos sobre impactos do rompimento da barragem em Brumadinho

A mineradora Vale recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) com pedidos que podem resultar na interrupção das perícias técnicas responsáveis por avaliar os impactos sociais, ambientais e econômicos do rompimento da barragem B1, ocorrido em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019, tragédia que matou 272 pessoas. Os estudos fazem parte do acordo judicial firmado em 2021 e são acompanhados pelo Comitê Técnico-Científico do Projeto Brumadinho, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O recurso mais recente foi apresentado em novembro de 2025, por meio de um agravo interno que tenta reverter decisão do ministro Herman Benjamin, presidente do STJ, que havia negado interromper os estudos com base em entendimento de que o tribunal não pode reexaminar acordos judiciais. A Vale argumenta, entre outros pontos, que houve atraso na execução das etapas previstas — parte delas atribuída à pandemia da Covid-19.

As perícias incluem os Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e Ecológico (ERSHRE) e abrangem 67 subprojetos em quatro áreas: meio ambiente, infraestrutura, socioeconomia e saúde da população. Resultados parciais apresentados em novembro de 2025 indicam piora da qualidade da água do Rio Paraopeba, permanência de rejeitos em sua calha e elevados impactos à saúde da população atingida. Um levantamento domiciliar mostrou que 70% das famílias de Brumadinho relataram algum tipo de adoecimento físico ou mental após o desastre.

O professor Bernardo Campolina, da UFMG, alerta que a eventual interrupção dos estudos comprometeria o monitoramento contínuo dos efeitos do rompimento e dificultaria a avaliação da efetividade das ações de reparação. Segundo ele, impactos ambientais e socioeconômicos desse porte exigem acompanhamento de longo prazo, e suspender as pesquisas significa reduzir a transparência e a compreensão real das consequências do desastre ao longo do tempo.

Procurada, a Vale informou apenas que está analisando o material apresentado pela UFMG e que se manifestará nos autos do processo judicial.

Confira mais detalhes aqui.

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